me debruço sobre um teto que está de passagem, vôo
vôo o que associam com a morte
e é de vida, de já vou!
me coloco lótus
noite pezarosa
dias infindos
primaveras inesquecíveis
unicidade
único
única possibilidade é a vida.
escolher a morte ou a vida é o princípio de tudo.
não consigo descansar e é de vida
vai, sobe a colina verdejante
liga a peça, faça como preferir
mas abrace
abrace o vôo
mesmo que atormentador
aumenta a dor
fere mas só porque não se vê
que é de vida,
que quando se vê,
se maltrata a vida sem querer.
assim tão distraída
dis-traída
me desvio da
destra
ida
em busca
de um pensamento mais convexo
que exerça
a destreza
distraída.
distraia sua ida para calar o suicídio
suy cídio convicto
combustível da engrenagem
é o vício.
na vida real onde adestra a destra vida.
o passar da página é o bater de asas
durma e lucidez translúcida
luzíadas
converta-se a geneologia do saber em ciência.
semi-ótica?
querem que todo mundo tome cuidado,
durma um sono velado.
quem não distraídos venceremos é assim.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
chuva na cidade (horário de almoço)
esta casa está leves mente molhada
leves mente tocada pela vida
está visivelmente
encharcada
ela está atolada
de uma distância consideravelmente considerável,
na natureza.
leves mente tocada pela vida
está visivelmente
encharcada
ela está atolada
de uma distância consideravelmente considerável,
na natureza.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
poemabraços
para onde as nuvens estão indo?
vão buscar as andorinhas...
vão encher um pote de mel...
para onde e para quando
a realização rendida de cravos
redes nossas completando-se
contemplando
sonho o sonho mordido no meio
vou com as nuvens que só se movem diluídas, ralas
dispersas dispistando os choques de energia
e você com a calma de prata
encontra o centro fora de si, fora de mim
e de todos nós
o seu centro de paz, o cosmos
o cosmos dos seus dentes
a janela dos seus olhos
ah, natureza dos seus cabelos!
--------------------------------------------------------------
eu árvore
após a tarde
de nós árvore
sou somente
eu árvore
na bacia de prata ou do araguaia
no rastro do bicho
mamífero fugitivo do fogo
ou na trilha iluminada de uma criança
caçando tatu-bolas
árvore estive observando
num equilíbrio pouco estático
expele seiva e cura a ferida
não sei quantos ventos passaram
foram deveras atormentadores
de paz ou de desespero
agora eu árvore
agora passe pelo meu caminho
que fico bem ali onde algo permanece
no vértice dos raios
onde convergem emoções coloridas
e fico bem, meu bem.
vão buscar as andorinhas...
vão encher um pote de mel...
para onde e para quando
a realização rendida de cravos
redes nossas completando-se
contemplando
sonho o sonho mordido no meio
vou com as nuvens que só se movem diluídas, ralas
dispersas dispistando os choques de energia
e você com a calma de prata
encontra o centro fora de si, fora de mim
e de todos nós
o seu centro de paz, o cosmos
o cosmos dos seus dentes
a janela dos seus olhos
ah, natureza dos seus cabelos!
--------------------------------------------------------------
eu árvore
após a tarde
de nós árvore
sou somente
eu árvore
na bacia de prata ou do araguaia
no rastro do bicho
mamífero fugitivo do fogo
ou na trilha iluminada de uma criança
caçando tatu-bolas
árvore estive observando
num equilíbrio pouco estático
expele seiva e cura a ferida
não sei quantos ventos passaram
foram deveras atormentadores
de paz ou de desespero
agora eu árvore
agora passe pelo meu caminho
que fico bem ali onde algo permanece
no vértice dos raios
onde convergem emoções coloridas
e fico bem, meu bem.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
O Surrealismo , Supernaturalismo.

trechos que mais gosto do manifesto do surrealismo, de 1924, escrito por André Breton.
"É uma história muito conhecida que eu conto, é um poema célebre que eu releio: estou apoiado contra um muro, com orelhas verdejantes e lábios calcinados." (Paul Éluard)
(...) ela (a imaginação) é incapaz de assumir por muito tempo este papel secundário, e por volta dos vinte anos, prefere, geralmente, abandonar o homem a seu destino sem luz. Ainda que se procure mais tarde, daqui e dali, recuperar-se, tendo sentido faltar-lhe, pouco a pouco, todas as razões para viver, incapaz que se tornou de se encontrar à altura de uma situação excepcional tal como o amor, não conseguirá absolutamente. (...) A todos os seus gestos faltará amplitude (...) Ele não se dará conta daquilo que lhe acontece e lhe pode acontecer, senão do que liga este acontecimento a uma porção de acontecimentos dos quais não participou, acontecimentos falhos. (...) Ele não verá, sob pretexto algum, sua salvação.
Cara imaginação, o que eu amo, sobretudo em você, é que você não perdoa.
(...)O espírito do homem que sonha se satisfaz plenamente com o que lhe acontece. A angustiante questão da possibilidade não se lhe apresenta mais. Mate, roube mais depressa, ame tanto quanto quiser. E se você morrer, não tem a certeza de despertar dentre os mortos? Deixe-se levar, os acontecimentos não toleram que você os retarde. Você não tem nome. A facilidade de tudo é inestimável. Que motivo, (...) confere ao sonho este andar, faz-me aceitar sem reservas uma multidão de episódios cuja estranheza (...) me fulminaria? E, no entanto, eu pude acreditar no que meus olhos viam, no que meus ouvidos escutavam; chegou este belo dia, este animal falou. Se o despertar do homem é mais duro, se ele rompe o encantamento, é que ele foi levado a fazer uma idéia mesquinha da expiação.
(...) Creio na resolução futura desses dois estados, aparentemente tão contraditórios, tais sejam o sonho e a realidade, em uma espécie de realidade absoluta, de superrealidade. "a imagem é uma criação pura do espírito. Ela não pode nascer de uma comparação mas da aproximação de duas realidades mais ou menos afastadas. Quanto mais distantes e justas forem as relações das duas realidades aproximadas, tanto mais forte será a imagem - mais terá ela de capacidade ou poder emotivo e de realidade poética... etc." (Pierre Reverdy)
**Definição da enciclopédia Filos sobre o Surrealismo: O surrealismo assenta na crença da realidade superior de certas formas de associação, negligenciadas até aqui, no sonho todo-poderoso, no jogo desinteressado do pensamento. Tende a arruinar definitivamente todos os outros mecanismos psíquicos e a substituir-se a eles na solução dos principais problemas da vida.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
A voz do demônio (William Blake)
Posto William Blake (1757- 1827), retirado de "As Núpcias do Céu e do Inferno". Ele é um dos primeiros poetas malditos da modernidade, e considero que muitos poderão ter o que se chama de um" bom encontro", com este inglês ; estes malditos eram e são assumidamente contrapostos aos enxames de abelhas já agonizantes morrendo nas luzes (de lâmpadas fracas) da razão ocidental, em união sempre renovada historicamente com a política avexatória e a culpa cristã pelo progresso de suas barbaridades desenvolvidas em termos predatórios no planeta Terra. A figura do demônio é invocada por vezes por estes poetas soltos (visto que poetas malditos não estiverem geralmente agrupados sob algum estilo, à excessão de alguns surrealistas) no mundo do delírio, mas não significa que acontece uma adoração do tinhoso, simplesmente o demônio é usado por ser símbolo de revolta, característica instrínseca ao ser humano (morda da fruta da árvore da ciência, baby, mas o criador vai te punir por isso!).
A VOZ DO DEMÔNIO
Todas as Bíblias ou códigos sagrados têm sido a causa dos seguintes Erros:
1. Que o Homem tem dois princípios reais de existência, a saber: um Corpo e uma Alma.
2. Que a Energia, cognominada Mal, provém exclusivamente do Corpo; e que a Razão, cognominada Bem, não provém senão da Alma.
3. Que Deus inflingirá tormentos ao Homem na Eternidade por haver seguido as suas Energias.
A isso, porém, se opõem, como Verdadeiros, os seguintes Contrários:
1. O Homem não tem um Corpo distinto da Alma, pois aquilo que se chama Corpo é uma porção da Alma discernida pelos cinco Sentidos, as principais vias de acesso da Alma neste estágio de nossa existência.
2. A Energia é a única vida, e dimana do Corpo. A Razão é a linha divisória ou a circunferênia exterior à Energia.
3. A Energia é Eterna Fruição.
Aqueles que refreiam o desejo assim procedem porque o que possuem é bastante débil para ser reprimido, e o repressor, isto é, a razão, usurpa o lugar do que anelam e governa os relutantes.
E o desejo sofreado vai-se gradualmente tornando inerte até reduzir-se a uma sombra do que era.
A história disto acha-se estampada no Paraíso Perdido, e o Soberano, ou Razão, chama-se o Messias.
E o Arcanjo original, ou o detentor do comando das hostes celestes, é aí cognominado o Demônio, ou Satanás, e seus filhos se designam pelos nomes de Pecado e Morte.
No Livro de Job, todavia, o Messias de Milton é denominado Satã.
Pois este relato foi adotado por ambos os grupos.
Parecia, na verdade, à Razão como se o Desejo tivesse sido banido; mas a versão do Demônio é que o Messias tombou e fundou o céu com o que roubara do Abismo.
(...).
A VOZ DO DEMÔNIO
Todas as Bíblias ou códigos sagrados têm sido a causa dos seguintes Erros:
1. Que o Homem tem dois princípios reais de existência, a saber: um Corpo e uma Alma.
2. Que a Energia, cognominada Mal, provém exclusivamente do Corpo; e que a Razão, cognominada Bem, não provém senão da Alma.
3. Que Deus inflingirá tormentos ao Homem na Eternidade por haver seguido as suas Energias.
A isso, porém, se opõem, como Verdadeiros, os seguintes Contrários:
1. O Homem não tem um Corpo distinto da Alma, pois aquilo que se chama Corpo é uma porção da Alma discernida pelos cinco Sentidos, as principais vias de acesso da Alma neste estágio de nossa existência.
2. A Energia é a única vida, e dimana do Corpo. A Razão é a linha divisória ou a circunferênia exterior à Energia.
3. A Energia é Eterna Fruição.
Aqueles que refreiam o desejo assim procedem porque o que possuem é bastante débil para ser reprimido, e o repressor, isto é, a razão, usurpa o lugar do que anelam e governa os relutantes.
E o desejo sofreado vai-se gradualmente tornando inerte até reduzir-se a uma sombra do que era.
A história disto acha-se estampada no Paraíso Perdido, e o Soberano, ou Razão, chama-se o Messias.
E o Arcanjo original, ou o detentor do comando das hostes celestes, é aí cognominado o Demônio, ou Satanás, e seus filhos se designam pelos nomes de Pecado e Morte.
No Livro de Job, todavia, o Messias de Milton é denominado Satã.
Pois este relato foi adotado por ambos os grupos.
Parecia, na verdade, à Razão como se o Desejo tivesse sido banido; mas a versão do Demônio é que o Messias tombou e fundou o céu com o que roubara do Abismo.
(...).
sábado, 7 de novembro de 2009
pracimealém
vamos nos desgastando
como a contingência do pingo
que desce dos andares do
prédio e anda agora
em minhas costas
num lugar temporal com cheiro
de vida me transporto.
e a vida nem sempre cheira bem
meu avô diria
,
minha vó riria
e eu concordaria
e riria e abraçaria e
abraço vô! abraço vó!
abraço o vôo que me puxa
pracimealém
com medo
vejo você pracimealém
seus olhos são atormentados
acalmada acamada
você salva
a contingência do bem.
como a contingência do pingo
que desce dos andares do
prédio e anda agora
em minhas costas
num lugar temporal com cheiro
de vida me transporto.
e a vida nem sempre cheira bem
meu avô diria
,
minha vó riria
e eu concordaria
e riria e abraçaria e
abraço vô! abraço vó!
abraço o vôo que me puxa
pracimealém
com medo
vejo você pracimealém
seus olhos são atormentados
acalmada acamada
você salva
a contingência do bem.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
sobre pássaros e céus impossíveis
Na manhã cinza os pássaros voam
o céu não está tão povoado
os pássaros voam
não há outros bichos
dizem que ainda há pássaros
não há terra que não seja
do homem
pela janela
tampouco muitos que a peneira segurará
quando caírem em queda livre
do céu da eternidade da credulice humana.
o céu não está tão povoado
os pássaros voam
não há outros bichos
dizem que ainda há pássaros
não há terra que não seja
do homem
pela janela
tampouco muitos que a peneira segurará
quando caírem em queda livre
do céu da eternidade da credulice humana.
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