sexta-feira, 6 de maio de 2022

Morrer pro mundo

 De vez em quando chegam tempos em que a pessoa adulta pode e resolve morrer pro mundo. Como passarinho encantado e muito amedrontado prefere só o ninho. Morremos pras opiniões dos instadãos ou facebookianas, pros transeuntes, nada importa desde que seja feita a derrama.

Ainda que não se tenha todo do injusto acerto para pagar.

Porque uma vida de tristeza 

Não paga em valor a alguns anos de alegria e certeza 

para um coração que muito se culpa.

Ao abdicar construímos coisas interessantes

Mas se for de tudo 

Amanheceremos mudos

E aí vai depender só do jorro

Desgovernado da juventude

Pra esse mundo emudecido virar.

A mesa, o jogo, as desigualdades. 

Seremos apenas os desistidos da cidade.