sexta-feira, 6 de maio de 2022

Morrer pro mundo

 De vez em quando chegam tempos em que a pessoa adulta pode e resolve morrer pro mundo. Como passarinho encantado e muito amedrontado prefere só o ninho. Morremos pras opiniões dos instadãos ou facebookianas, pros transeuntes, nada importa desde que seja feita a derrama.

Ainda que não se tenha todo do injusto acerto para pagar.

Porque uma vida de tristeza 

Não paga em valor a alguns anos de alegria e certeza 

para um coração que muito se culpa.

Ao abdicar construímos coisas interessantes

Mas se for de tudo 

Amanheceremos mudos

E aí vai depender só do jorro

Desgovernado da juventude

Pra esse mundo emudecido virar.

A mesa, o jogo, as desigualdades. 

Seremos apenas os desistidos da cidade.



sexta-feira, 29 de abril de 2022

Criação

 Uma tensão geradora 

É bem melhor que 

Um gerador tensionado...

Uma movimenta a corrente do rio

O outro é bomba de lago estagnado.

Novidade seria o mundo parar 

Coitado de quem 

Não dá bola pra ninguém.

Sentir-se parte,

sentir-se partido...

A vida vibra 

Fantástica equilibrista

Gerada como no mito

Do vôo do beija-flor,

Estalar no ouvido 

Um cordão no "imbigo",

Broto rompido do torpor 

Estamos em posse 

Tanto quanto possuíd@s

Por leis milenares 

Tragédia  

arbítrio em rumo determinado

Pela terra, pelos ares.




































quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Enfantasmada

 Quem é você, fantasma de mim?

Em meus sonhos sem licença...

Salas vazias impregnaram meu cérebro

noites cortaram e depois me ascenderam 

paixões impensadas

depois realista entrei na trilha

imaculada

senhora de nenhum lugar

nem de mim

construí um belo refúgio 

para me fazer cansada

desalmada da lua

apaguei

tenho vivido emborrachada 

vim vi vivi e (quem não vê?)

morri


isso só pode ser uma fase

no buraco negro 

existem quases




quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Povoadora de abismos


Povoadora de abismos

cabra montesa pyrenaica 

eu fui aquela do "passe o abismo

e vai"

antes, hoje não vejo nisso heroísmo

se cai

sem uma camada estável

ousar não é louvável


retrocedo como quem dança

(passo para cá, para lá)

rodopia mas
não se cansa

de que a vida vá


sexta-feira, 10 de setembro de 2021

A autopropaganda e suas pílulas transcendentes

 O coletivo  convulsiona

Não sem contar com

Verbetes de bem-viver

De aparência alinhada

(ao lado do poder).

Coaxa o coach

Ou um apaixonado pelo lobo em pele de cordeiro

O melhor caminho pra você.

Estão todos ricos 

Em moedas ou fichas de orelhão

Que sem elas

O Universo não te ouve, não.

O estado de ser 

Mais que o trânsito

Nos acompanha

Escolhe e promove 

O amanhã,

separa e arrebanha.







sábado, 3 de julho de 2021

Território das dores

 desencontro
desencaixe
desconforto
despreparo

desilusão
desistência

dissociação
desassombro 
das dores...
Existe mesmo
um cemitério dos amores?

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Marés

 eu passo sinto e vagueio
agacho e deito 
naturalizo dualidades
navego por quatro fases

de vez em quase
todas em mim fazemos as pazes



domingo, 4 de abril de 2021

Podar-se

 me cobro e me podo 

quando me vejo excêntrica

me desvalido pela diferença

o abuso do desvio

fosse chama e pavio,

exagera em um, o outro sumiu





Estamos todos no mesmo lugar

uma raça ao lado de infinitas

muitos sentimentos nos afetam

qual é a distância para um estímulo

virar controle?


igual ou diferente não importa

quando a boa vontade aporta.

a fonte e o aporte vem de um centro

e a energia se faz no movimento


Muralha



 construí uma barreira que represa
o meu mar
eu a transcendo por fios de desejos
de felicidade
(esse sal necessário)
pequenos fios de luz 
paradoxalmente mínimos
anunciam manhãs através da muralha
que cansou de estar onde está
represando
contendo
inflando
"não sou eu quem me navega
quem me navega é o mar"
seguir o fluxo é complexo
mas será que tanto ?
quem vive de represas 
ressente-se de quem se joga do lado
do horizonte
que lhe beija a fronte
 
equivocados todos estaremos...
poderemos... 
estar
não altera
o que é.

sábado, 6 de fevereiro de 2021

bolsonaro e seu sanatório

bolsonaro e seu sanatório:

foi você quem se fez

bode espiatório

não nos acuse, ao menos uma vez


seu estar em 

evidência 

e maledicência

o levaram ao trono;

onde inevitavelmente defecas


um louco ressentido

como aquele que sem paz

com vc se compraz


para todo aquele que queria um rei

seja para curvar-se

seja para armar-se (contra ou a favor)

foi Deus quem te mandou eu direi


o carma é todo nosso

a torta calma 

recheada de erros de "não posso"


já que abaixo do asfalto

a sede de sangue crescia

contra a sensação dum domingo falso

um tiro que cessasse a monotonia


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Moribundo

 O nosso amor virou um moribundo

caminha até se esvair como camponeses

enterrados nas areias do deserto egípcio

nosso amor não foi mumificado

mas adubou gerando fruto

maravilhoso, saudável e brilhante

e por causa dele

nada será como antes;

um moribundo assombra  

as centelhas da felicidade

o pobre moribundo não tem para onde ir

assim que saiu desta casa

nós lhe sentimos a falta

mas não o trouxemos pela mão

não fomos de cara, coragem e vontade.

Para cuidá-lo precisaria de dois

e ninguém mais

pode fazer isso.

É a tal da morte em vida

poderia ser um ciclo 

cíclico 

se vivido em sincera partilha.

O apoio que preciso dar ao fruto

é de raízes mas não de virar seu adubo

pois a alegria é a seiva da vida.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Corporalidade e arquétipos.

Cada passo no território é dado pelo corpo. Formamos e produzimos gestos corporais, respirações, tensões e solturas em determinadas regiões, nas mais variadas combinações A energia que conduz o corpo adquire feições particulares, de modo que sem enxergar poderíamos detectar quando estejamos na presença de “fulan@” e de “beltran@”. O modo de estar do corpo será particular principalmente devido à maneira que aquele ser individual se adapta, quais canais e modelos de força são por el@ usados na troca com o mundo social e doméstico.

Os movimentos traduzem diferentes intenções, captáveis esteticamente para quem assiste (por exemplo a uma dança) de modo similar ao de quem o produz; a população humana, por ser  uma espécie biológica, experimenta situações e sensações similares ao longo do tempo e de diferentes lugares geográficos. Provavelmente os mesmos hormônios que foram liberados em uma situação de medo em uma mulher Paleoíndia, descarregam-se numa mulher brasileira contemporânea que passe por um medo similar. 

As situações básicas que todo ser humano passa pela vida (sobrevivência, paternidade e maternidade, morte, etc.), bem como a maneira que as recebemos biológica e socialmente, molda a qualidade de algumas imagens, mitos e símbolos muito parecidos que estejam distantes no tempo e no espaço; essas imagens, mitos e símbolos seriam as manifestações arquetípicas, ou seja, expressam arquétipos. 

    Ao longo de seu extenso estudo antropológico, psiquiátrico, teológico, filosófico, histórico, dentre outros, Jung pôde constatar a existência destes arquétipos, trazendo  ligações entre o passado histórico e os indivíduos hodiernos, com suas manifestações em sonhos, mitos, símbolos, etc. O que vemos na alma individual de forma unilateral e personalizada, comprimida, pode ser visto amplamente difundido no passado histórico. 

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Dens(idade) do destino

 subi no palco de minha vida

tragédia grega

força do destino

onde vago qual

peixe de rio

que não chegou ao mar

da Unidade

desatino

as coisas se complexificam

de modo que simplificam

e ainda mais (nessa) idade

complicam

completam

pinicam.

Alguns "sinos" me cintilam

a minha ingratidão

minha pouca resiliência

poderia ser mais a morte

aquele sentido da vivência?

minha cara está no chão

apenas respiro

mas por isso,

sou grata,

não piro.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Ode ao feminino

 eu estou

pavoneada de meu feminino
pá virada
povoada
de anseios genuínos
femininos
de séculos

dançando com o ventre
acordando o plexo
quero oferecer a abundância
da energia do amplexo

se traduz no movimento
o que vem de dentro
e algo que com isso
invento

por essas e tantas
tantas mulheres
tentamos nos resgatar
e dar apoio a outras
mulheres 
florescentes
flor-e-scentes
fluorescentes

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Desrepressão ou perversão?

 se a sua desrepressão

beirar a perversão e a 

perversidade


um embrute cimento

e emburre cimento

paralisa e vicia


as sombras

não as nego em sua existência

mas exaltá-las a tal ponto,

a tal falência 

do sentido

e do envolvimento?


fora do espectro

social moralista

desreprimir-se

é trajeto de vitória

se afirmas a alegria 

em grande parte de sua glória


quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Clarificar (post-it pra vida)

 "A aranha tece puxando o fio da teia

A ciência da abeia, da aranha e a minha

Muita gente desconhece" (João do Vale)


clarificar 

noções

evitar fazer e receber 

projeções


só, claro,

ficando,

quem gostar

de clarificar

domingo, 1 de novembro de 2020

De pressão

(  Lembrando do quadro de quando era neném, segurando uma florzinha, bem gordinha e com um olhar que olha através; nunca soube se gostava daquele quadro, mas de fato aquela era eu, ou uma parte importante de mim. Hoje com 33, engordada, em quarentena, tenho me achado parecidíssima com aquela criança e aquele olhar, que é através mas um tanto triste)


 Não soube lidar com a minha tristeza

produtivamente 

não consegui suficiente 

mente

calar 

minhas ausências no que 

deveria


o deveria

em partes já é

em toda a harmonia 

da natureza


se pisar com pelo menos os dois pés

nos hemisférios dos opostos

equilibra-se mais

nos mundos 

de acalma

e ria


de pressão

depressão

nessa fase

de lua 

em que sonhei em Júpiter

Permita que eu sonhe 

com pés no agora


(e sem me achar patética)


será o ser

humano

capitalizável?

ou apenas está? 

Fora da ótica

da troca, do amor e da morte

na Criação?


segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Amor perdido

 talvez você não acredite

num tempo distante fui raptada

vaguei campos desolada

desnorteada Afrodite


daquilo que é sagrado

eu nunca fugiria

enlutada transcendência

do amor que seria


corpo superfície

de tons e vibrações

tambor uníssemos 

uníssono

tu e eu os corações


domingo, 11 de outubro de 2020

Mitos degenerados

ai quem me dera

ai qual de mim

consegue decidir 

entre o ir e o vir?

 

começar o jardim

após a desesperança

é um sem fim

que une mulheres e crianças

(em seus quintais)

 

não vou me degenerar

com mitos degenerados

eles querem me encalçar

com suspiro e mau olhado

 

não vou me degenerar

com a secura que há no mundo

não vou me degenerar

mundo rima com segundo

 

que explode

explode coração

 

ternamente presente

amando os passarinhos

sempre contente

meu peito é um ninho

 

ainda sobre comunhão

digo que a mesa está posta

me eleva me enerva

é decisão que se aposta

 


sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Mergulhos



há dias que um qualquer

"pode passar por mim"

significa "fique aqui";

cenas, sensações e pensamentos

intensidade motora física e sutil

receptáculo

relação 


pigmentada do de dentro

urgindo e rugindo

ungida

felina 

para sair

essência 

por si

nada demais

nada mais

nada


não nado,

mergulho


engolindo

me afogaria

fecharia ao oxigênio 

domada por caminhos de neurônios

cristalizados nos mesmos hábitos

ossos do ofício

isso é envelhecer?