quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

poemabraços

para onde as nuvens estão indo?
vão buscar as andorinhas...
vão encher um pote de mel...

para onde e para quando
a realização rendida de cravos

redes nossas completando-se
contemplando
sonho o sonho mordido no meio

vou com as nuvens que só se movem diluídas, ralas
dispersas dispistando os choques de energia

e você com a calma de prata
encontra o centro fora de si, fora de mim
e de todos nós
o seu centro de paz, o cosmos

o cosmos dos seus dentes
a janela dos seus olhos
ah, natureza dos seus cabelos!
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eu árvore
após a tarde
de nós árvore
sou somente
eu árvore

na bacia de prata ou do araguaia
no rastro do bicho
mamífero fugitivo do fogo
ou na trilha iluminada de uma criança
caçando tatu-bolas
árvore estive observando
num equilíbrio pouco estático
expele seiva e cura a ferida

não sei quantos ventos passaram
foram deveras atormentadores
de paz ou de desespero

agora eu árvore
agora passe pelo meu caminho
que fico bem ali onde algo permanece
no vértice dos raios
onde convergem emoções coloridas
e fico bem, meu bem.

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