sexta-feira, 13 de maio de 2011



o amor me leva como autômata
à sua morada

se fujo a onda afoga
ó saveiro...
não pode fugir
ao chamado do mar

procura-se a lareira sem entraves
mas da mão inteira dando apenas o dedinho
não se caminha como queres
por esses mágicos lugares

longínqua casa ao recanto do rio
espio
do ponto em que se passa por várias camadas
combustível inocente rodopio

vislumbra-se crânios iluminados
mandíbulas soltas

ao mesmo passo que
lobos mostram caninos
sinuosos passos felinos

coexistem dimensões no transe do ouvido
asas ou tímpanos abrem e fecham

por que perguntar numa hora dessas, susurra o vento
à nativa solitária
quando as aves já estão em casa?
pousa a mão em teu coração...

terça-feira, 10 de maio de 2011

tupã e a erva mate, a saudade




enquanto tomava um chá estas palavras chegaram. Pensei em colar uma imagem, veio Tupã subitamente. uma coincidência ocorria:

dubiedades da saudade:

por mim seria só sua.

"Tupã mostrou ao cacique uma árvore grande, de folhas verdes. Dessa árvore mandou que o índio retirasse, secasse e torrasse as folhas, fazendo com elas uma bebida amarga e quente, mas deliciosa. Seria sua companhia para quando ninguém estivesse junto a ele. Para preencher o vazio da saudade. E assim foi criada a erva-mate." (retirado de http://hernehunter.blogspot.com/2009/11/tupa-e-erva-mate.html).

quarta-feira, 4 de maio de 2011

dois assobios ao ouvido

o outro.

fazer tudo por si só
só mente...


solidão de sobra.
nessa kit
tem net

"Céu, tão grande é o céu
E bandos de nuvens que passam ligeiras
Pra onde elas vão, ah, eu não sei, não sei
E o vento que toca nas folhas
Contando as histórias que são de ninguém
Mas que são minhas e de você também" (dindi - tom jobim)


espírito que canta (itamar assumpção)

Andando por aí eu encontrei o espírito que anda
Que vinha caminhando juntamente com
O espírito de porco que disse não estar eu sacando
O espírito da coisa e nunca mais eu encontrei a
Minha paz de espírito

Voando num boeing encontrei outro espírito que voa
Voando a mil por hora, juntamente com o pai
E a mãe, o filho e o espírito santo, que
Disse não estar eu voando de espírito
Tranqüilo e nunca mais eu encontrei
O meu estado de espírito

Cantando por aí que encontrei
Os espíritos que tocam
Que vinham caminhando juntamente com
Os espíritos que cantam
Disseram não estar eu cantando
Como cantam os cantores
E foi assim que encontrei
O meu espírito crítico

segunda-feira, 25 de abril de 2011


oxigenação das barreiras dos medos para pular logo adiante. Estou perdida com antenas que aumentam a distância percorrível da cabeça ao chão. Crescendo para cima viro pêndulo ao contrário. São vários círculos de energia desde o chão até aqui. No bar me perdi no labirinto do álcool. Em casa descobri típico domingo com meu atípico despertar chorando. Minha alma não se recuperou ainda das últimas alegrias. Paradoxos. Fugazes ficaram comigo até agora.
Necessito sair deste domínio
de estar aqui no taciturno noturno
quando é dia!
Awake!

sábado, 23 de abril de 2011

sem voz, sem nós

se fosse para encontrar o amor numa mesa de paz
me levantaria aliviada
mas o furacão tem me feito contumaz
morada

confusa com oq a mim se destinou
fico de mãos ainda tristes
no chão da memória que não encontrou o valente
combatente
pensamento reto
dado de mão beijada ao eles, vós...
ficou sem voz, sem nós.

quinta-feira, 17 de março de 2011

tranquila

huuuuumummmm
respiroguiço moleza
tran(cosebarrancos)quila

a vida qui-la
sempre

qui-los
sempre

enfadonho fardo ao brinquedo
sairá no espaço-beijo
a sujeira
do olho cego
de matéria
passageira.

segunda-feira, 14 de março de 2011

2 pensamentos navegados










pensa 11:47 h
numero(a)lógica
Posso ser para cada um,
como esse um que é um para cada um que o vê,
me vê.


mundo profano
apenas um pensamento de zombaria e descrença e acaba a comunicação de índole mais pura. no return.faz o evento sagrado voltar a ser incomunicável. oscilações da razão repetidora também afastam-se desse tipo de percepção.



domingo, 6 de fevereiro de 2011

situ-ação

sigamos o que resta do natural, a cidade se ergue rompendo abruptamente nossos laços essenciais.
cordões com a Terra alcancem todos os seres
egrégoras e lutas se dêem pela salvação do planeta

respeito perdido, tempo descrente
queima hoje livremente
como carvão o sorriso que floresce,
e mente, se tem mente
iludindo-se que livre e impunemente

cura do corpo amarrado
não há nada gratuito na conversão das relações em dinheiro
este sim é um proceder desordeiro
fexe o corpo, levante-se
à troca que te esfrega na lama
deixe o corpo
protegido e quente como a chama


medos para trás, urge que sintamos o instante
trás e frente são naturalmente insustentáveis

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

artaud e o polvo in my mind

não vou expressar uma certeza à toa
para te fazer sentir bem

você é toda vida que se doma em ego
mas
eu não existo como sujeito

é de um lugar que estou falando.

rememoro uma aparição de Artaud
sobre um corpo 3D
e um rosto plano de papel preto e branco
onde tinha o pescoço torcido
como na capa de um livro
arranca úlceras

um discurso muito engraçado Artaud falou
e quando questionei,

respondeu com os olhos que
falava de encontro e conforme também
minha mente que se desenhava
naquela hora à pia
como um polvo de ponta-cabeça
querendo receber o giro
dos braços de Shiva

giro na sala do lugar que
permite que me movimente ainda entre paredes
o louco se movimenta onde não está livre do outro
dos pés na terra ou no cimento
porque para eles isso tanto faz.

por isso o louco livre em sua mente
não pode evitar a represália dessa gente
que o deixa agora sim, doente.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

numa tarde da semana

as ondas invadem a
clareira de lençol verde na cidade
de cinza está ficando branco
a mudança é tão operante
que não consigo te explicar

mas parece que num ponto
tenho vontade de voltar

helter skelter
sem saber se é boa a vontade
meu amor voa sem casa

não há coisas que são como o fogo à lareira?

períodos de fartura...

tão bem abastecidos que despertou em quem

não sabia ainda usar o amor louco kundaliní.

há pessoas dançando
room full of mirrors
bebida no chão
um sentimento pagão
que não te explico sem um trago
numa festa

tem gente olhando o olho do gato
gente falando de estrelas e zodíaco
gente tocando vendo cor ouvindo som

uns acelerando a perseguição junto com
o medo dos ratos que saem às ruas,
tomando seu veneno.

há falseamentos por toda parte,
não me pergunte
pq o natural é um benefício em si
com sua cara petrificada de ciência fedendo a naftalina.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

mercado da vida

a medida em que plaino perto da terra
mais perto que antes
pé no chão é uma bala dura de mascar

já foi não é bala no peito
hoje quero escapar

um novo peso
quer cair sobre minhas costas
me faço forte não tão rápido
a ponto de poder estar reta e limpa
perguntando o que dá para jogar da carga
pois percebo que

não posso ser mula de carga sem usar uma calculadora
caminhando sobre minhas patas em meio a iguais no centro comercial
com minha calculadora
e meu coração mais tranquilo
vendo o mendigo passar, penso na minha boca babando e minha infelicidade
momentaneamente sanada.

não há nada que se compare a uma boa compra às xs
não há nada

com o pé no chão te ensinam a caminhar como pode

no mercado da vida

e é muito triste mas ouça,
é o que se tem no século XXI
quando se resolve estar no mesmo barco que a maioria
não sei se por humanidade ou covardia

não percebem que não se deve andar em linha reta
e seguem passos nas avenidas artificiais
com personalidades cada vez mais (...).

terça-feira, 29 de junho de 2010

do desespero-agora

sai do quadrado e desenha um círculo
busca o céu como uma samambaia de energias
plaina sobre a terra como pluma
fios de luz
e a respiração das coisas...
relaxar o corpo,
são inúmeros os antídotos...
ao estado de coisas que reprime o movimento sadio de tudo que é.

a ilusao é a de que estamos vivendo mais
mas se vive perseguido pela morte

aceita-se uma vida pobre
porque têm-se medo da morte, à espreita pelo e através do ritmo frenético-destrutivo.

break on through to the other side
venha conhecer essas paisagens lisas como aeroportos
aéreas
do artista alucinado
a andorinha gigante caía sobre o mastro da bandeira
sangrou sumindo como qualquer personagem com significado
a noite no mar
aperta meu coração em todos os pedacinhos
todos choram um pouco de carinho
por me ensinar mais do que gosto
na praia o luar está prata e as estrelas cantam
mas ainda estou aqui
em outro plano mais cinza
montanhas façam "shh" para o demasiado encargo da vida de agora
para que eu sinta de novo com esperança como antes
para que eu sinta havendo porque.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

o progrerda do século XXI


atrás da mesa aquele cara do filme tal e daqueles outros também. onde a esfera principal
era esse indivíduo perseguido pelos holofotes. mas tendo em vista que sua sobrevivência deveria

ser vista e ser vista

esse servisado duma máquina, sendo seu manobrista
sabia que precisava

(ser visado)

pelo serviçal

e por isso não reclamava de todo de sua fama... dentre eles havia um pacto invisível que tem seus instrumentos de ação conselhos, trejeitos, tardes de autógrafos e fotografias, e para todos novas relações humanas!
você ligado com o mundo todo, em redes!

que servisionários do
progrerda,
nos dão microondas
microsentimentos

superfalseamentos
.
.
.
\/

caia aqui nesse buraco.



políticas sociais sexuais pelos animais pela amazônia pelo samba do morro o boi bumbá e o novo também! para manutenção do mesmo ritmo frenético donde a montanha de lixo está posta!
incentivos para que nos tornemos de fato indivíduos mais

ativos limpos magros de bem com a vida

comedores do orgânico
contrário caro da produção em massa

tantos outros falseamentos!

EMPERDEDORES !
felizmente trancados de nós mesmos
longe milhas da felicidade possível
pelo avanço da mente!

adesivos que se colam a opções que não criam!

me anima pensar que seus dias estão contados
manobristas, supervisionários do progrerda !
emprerdedores!
só rezo para que seja antes
que se consuma o fim pregado pelos

vid(antes) oprastores.


saudações,

um sistema sem nome.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

na com coisa nenhu

só quando ele se abriu inteiro
o círculo, pelo seu caule
pelo meu tronco
pude então sorrir
e nascer desse outro jeito
sorrindo
e vendo o círculo que abre e significaenfim.
toda uma vida em tempos variáveis
que passei contigo

depois dess

bem
posso dizer que vi
vo respirando consciente...
corpo todo lutan
to muito determinada
no na
com coisa nenhu
ma
da
vida.

domingo, 23 de maio de 2010

murilo mendes!

O utopista


Ele acredita que o chão é duro
Que todos os homens estão presos
Que há limites para a poesia
Que não há sorrisos nas crianças
Nem amor nas mulheres
Que só de pão vive o homem
Que não há um outro mundo.


Reflexão n°.1


Ninguém sonha duas vezes o mesmo sonho
Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio
Nem ama duas vezes a mesma mulher.
Deus de onde tudo deriva
E a circulação e o movimento infinito.


Ainda não estamos habituados com o mundo
Nascer é muito comprido.


O filho do século


Nunca mais andarei de bicicleta
Nem conversarei no portão
Com meninas de cabelos cacheados
Adeus valsa "Danúbio Azul"
Adeus tardes preguiçosas
Adeus cheiros do mundo sambas
Adeus puro amor
Atirei ao fogo a medalhinha da Virgem
Não tenho forças para gritar um grande grito
Cairei no chão do século vinte
Aguardem-me lá fora
As multidões famintas justiceiras
Sujeitos com gases venenosos
É a hora das barricadas
É a hora da fuzilamento, da raiva maior
Os vivos pedem vingança
Os mortos minerais vegetais pedem vingança
É a hora do protesto geral
É a hora dos vôos destruidores
É a hora das barricadas, dos fuzilamentos
Fomes desejos ânsias sonhos perdidos,
Misérias de todos os países uni-vos
Fogem a galope os anjos-aviões
Carregando o cálice da esperança
Tempo espaço firmes porque me abandonastes.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

funcionamento grupal de mexericas e humanos

mexericas mofaram
não lhes dei o suficiente de ar numa sacola

daí para a raça humana foi um pulinho...

muito bem as de cima não mofaram
infelizmente as de baixo sim,
em brigas e barbaridades que acometem
a baixa fatia do bolo
que é tratada como pedra apesar de
e até por

razão

de serem massa ativa e viva
construindo e reformando incessantemente
esse bolo que é para ser DIVIDIDO
mas só consegue ser OSTENTADO

por quem dele come até que lhe façam
na cozinha
um bolo novo.
com as mãos de quem dele não come.

para alguns corações fascistas que se sentem
agoniados por não estarem no topo
que precisa ser esse
inferno onde você pisa sob cabeças para
caminhar pra qualquer rumo,
associar a seleção natural
com o modelo social atual, é um pulinho

mas para o abismo.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

a dúvida

chegou a hora
cheguei na hora?
(silêncio...)

olá dúvida
sabe você
que...

às xs me deixa sem saída
e...

por me dar essa certeza
de...ssa ausência

de saída

me dá certeza


mas...
não importa... se pela mesma estrada?
dúvida?

acho que às vezes você ri da minha cara
dúvida...
porque tento te esnobar um bocado
nas garras da certeza
e quando me percebo choro
e é aí que você ri
porque você
é traiçoeira
mas se ri da própria necessidade que provoca

porque você está no meio do caminho, dúvida
exatamente no meio. metade para chegar até você,
e metade para a certeza

mas permanecerá sob variadas formas

pois que devo olhar bem na sua cara

e segurar a mão duma certeza?
dúvida?

quarta-feira, 28 de abril de 2010

alumiamentos

as faculdades de voltar à Terra estavam suspensas num grande balanço que descia as cordas do céu, no meio de um caminho em que nem a morte assustava mais. A facilidade em encontrar
objetos perdidos aumentava. Não sabia porque, mas pegava o hábito de olhar as pessoas pelo seu
terceiro olho... sentia energias amorativas. mesmo quando os pensamentos despencavam como pedras, traídos em sua intenção comunicadora e mostrando a confusão do novo. Em inícios do verão, nada pareceu mais puro e desesperador que a chegada do amor pelos ventos. as árvores e
nuvens comunicavam, os ramos ascendiam ao céu, podia ver a respiração das coisas. sendo que
as inertes fazem um movimento diferente das vivas. foi aberto um tempo de iluminações. A natureza insinuava segredos e não podia escapar de suas verdades: deitada sob a janela, êxtase de várias camadas expelidas de dentro para fora. chora de alegria: não era mais que uma parte daquilo tudo.
as faculdades de voltar à Terra estavam suspensas pois agora ela virava um grande mistério paradoxalmente explícito.

depois disso, o mar traz de volta o silêncio. mas não é mais o mesmo que sentia
em períodos da infância ou adolescência. RELVA-tividades num vale com cheiro de água, barro e verde. sendo vida espalhada. misturadas todas as células no segredo verde... chegará
um dia em que as borboletas voarã do chão com rastros verticais. gestação da paz.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

cegamente

nós falávamos sobre o espaço entre todos nós
(within you, without you - the beatles)

quando enxergar,

confie cegamente

segue a mente

galopa com o cavalo num mesmo espírito


mas cuidado se tudo separas

e não vê quão separado está

cega a mente.