sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Mergulhos



há dias que um qualquer

"pode passar por mim"

significa "fique aqui";

cenas, sensações e pensamentos

intensidade motora física e sutil

receptáculo

relação 


pigmentada do de dentro

urgindo e rugindo

ungida

felina 

para sair

essência 

por si

nada demais

nada mais

nada


não nado,

mergulho


engolindo

me afogaria

fecharia ao oxigênio 

domada por caminhos de neurônios

cristalizados nos mesmos hábitos

ossos do ofício

isso é envelhecer?


quinta-feira, 30 de julho de 2020

Com Yôga

Com Yôga eu
(prós)sigo
e
(con)sigo
não apenas seguir.

Ou um piloto
automático estranho
me toma a conta
e manda a mundaréu sem fim
de quem não faz conta de mim

quarta-feira, 15 de julho de 2020

A não observância 
Derramou em muitos lugares
 o (que não adianta chorar o)
Leite derramado...
 No país, cidade e nos lares.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Trabalhando dores

As horas doídas
Precisam ser manejadas
Fincadas na terra
Sacodidas e reboladas

Pareço em círculos fechada
Mas estou no espiral
Dervixes, mesas girantes
O mundo no quintal

A dor precisa sair nas mãos
Que acarinham o pão
Faxinada sem fascínio
Até que dos confetes
Sobre o mínimo

Quem sou eu para te julgar
Quem sou eu? Pára...
Quem?

Longe tenho passado
De ser substrato
Ao teatro de sonhos da mulher triste
A realidade me consome
A ampulheta guarda desertos
E meu movimento do camelo
Na dança encontra
Alegrias genuínas
"Respeito muito minhas lágrimas, mas ainda mais minha risada"
Trabalhando dores
Trabalho horrores



quinta-feira, 28 de maio de 2020

Aleatória assertiva

Tão velha como no refrão
Forever young, I wanna be...

Entulhada de pensamentos
Descartáveis
Morrida de sentimentos
Imorríveis
Saltada aos olhos
Das caras
Às vezes embrulhada
Como bolo molhado em papel prateado

Segurando a cauda
Do fluxo, da onda,
Você sabe estar inteir@
Sem vazar?
Isso faz diferença;
Segurar. Se bancar;
compensa.

Criando quase ataco;
De bicha acuada
Saio do buraco

Minhas vidas fizeram história
Nesse corpo que acompanha
Minha trajetória
E às vezes penso que viver pra tod@s nós
Deveria ser um ato de vitória


quinta-feira, 7 de maio de 2020

Impostora

Vez em quando me sinto
Impostora
Como arco-íris de led
Numa janela mínima
Tal qual animal que debanda
A própria espécie

Viajante do tempo e espaço
Como agulha de crochê
Mergulhando em várias camadas
De fios sem fim
Que passam por mim

Seria essa a via em que aposto?
Impostora?
O que é imposto?
Ou sim, posso?

Minha tranquilidade ainda
Que rara e feita chegou
Só não me é aceita
Num olhar que secou

Quando criança
Castelo era o meu cavalo
Com o tempo Castelo
Foi para outra dimensão
Dessa terra
De tanta gente
E tanta solidão

Sobrei eu e outros animais
Inclusive humanos
Vagueando às vezes lado a lado
Matando o tempo
Matamos
Com vida abundante
Mas geralmente de olhos fechados
De dar pena
Como bexigas que aproximando-se
Saltam uma para cada lado
Ou estouram

Eu me esvaziando um pouquinho
E você também
Talvez caibamos aqui, meu bem.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Serei a do seu mundo

Eu não serei a sua fuga
De ser quase todas prefiro
Ser Anenhuma
Sereia do teu mar

De migalhas formigas
Constroem túneis
Para longe
Passe reto

Hoje me revejo inteira
Hoje tudo é demais

Lindo aspecto se fez
Do que era espectro

Passo plena do dia e da noite
Carregando estações em ramalhete
Nos braços
E o benefício de não querer mais
o controle de tudo
Controle tão remoto

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Retorno ao voo


Eu não tinha mais
o benefício da palavra

eu não era algo ao
mas sim o vento
o que ele diz?

como soamos juntos?
um arrepio quente...
me pergunto.

sonha... que amanhã nada é de graça
fora a graça
em se viver o presente
seja frio ou quente
se calarem-te o espanto
cessa o canto
e o tanto...
daquele tango
de sua alma.
o vôo livre de volta pra casa
é uma ciranda (em que aparece seu rosto afável meu amor)

tempo cíclico
destrói Shiva
minhas ilusões
acalma Krishna
minhas paixões
nina Mãe uma
mente cansada
me ensina ser luz
meu Jesus

brilha o sol aos afazeres
como aos lazeres; não se
entardeça sem enternecer
eterno ser
sempre mais
terno.

não fujas senão do ódio
há que se ver quando existe
um ciclo que já se cumpriu
acabou o inverno
só, você não viu?
somente sol
solta o que não reside em ti


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

comunicação ou não

cultivar-se como indecifrável
tentar abrir-se afável

a verdadeira comunicação
em verdade tão difícil
não são e não só palavras,
mas ao outro atenção. 

para estabelecer a ponte
de algum modo sempre responder
se subir sozinho o monte
sozinhos caminhos a percorrer

quarta-feira, 18 de julho de 2012


o bar, o trabalho, a casa

o sol bate no rosto
carancudo da noite longa
noite de muitos anos
a carícia do sol
virou porrada
e o cigarro carícia
antes do café da manhã

nossas jóias da insatisfação
de ouro, açúcar, pano, nariz torcido
acessórios personalizados
humanos coisificados em opções
de estilo
penduradas em nossos corpos
os olhares

em nossas casas
quase nada necessário
em nosso tempo
tudo de revogável

o charme do cansaço
procurado, vagado, perdido
que zomba do cansaço
trabalhado que zomba do vagado
a crítica
da noite
ao dia
da cerveja ao refrigerante
e do refrigerante ao suco orgânico

o que fazem essas pessoas?
o que esperam da vida?
dizem de todos os montinhos
como pode o sujeito?
que tristeza!
que tristeza...
sermos montinhos

sexta-feira, 29 de junho de 2012

coadjuvante ou ator principal da própria existência


a maioria pinica-se com o ácido 
da coadjuvância sobre a pele
já ao menor desafio 
por que eu? por queeee?
oh vejam aquele que não sofre...

desses ecos a história está cheia
são como um pano de fundo

só quando têm bons momentos
sentem-se nas rédeas do próprio drama
sim, esse sou eu! VEJAM,sou eu, sou eu!!!

de atores principais
que ao agrado e desagrado
são eles
a história não está cheia
mas marcada para sempre
por suas pegadas luminosas.

domingo, 27 de maio de 2012

LOVE WILL







ó meu amor eu rezo
nada de baixo arrastará nossos corações

nunca mais as velhas ilusões
nunca mais limitar a beleza
que sai da sua, minha 
e mais,
da nossa natureza


eu sinto a cura
sinto por vc um amor que perdura
sua aparência demais me encanta
e sei que a juventude avança
porém positivemos um ao outro
e mais velhos estaremos puros, crianças


não haja impedimento
caiam as barreiras ao som de nossa harmonia
correntes com toda matéria passageira
se soltem de nós 
enquanto desfrutamos de um sempre mais puro amor


quero que me leves
pelas montanhas, mares 
florestas e até desertos
de sua alma
lhe mostro meus esconderijos rejubilantes
e tudo que passamos e passaremos
 re-conhe-seremos juntos, curados.

quinta-feira, 29 de março de 2012

-saudade das velhas noites estreladas -




saber levar o fardo
nos dias que fazem laços
exigência é ruim ao espontâneo
que também não responde sozinho
(como quer a ilusão)
por uma vida

di vi di da
de ver de dar
compartilharada terra
dos frutos fartos

não há de estar farto de
com-preender na noite tranquila
onde se descansa
oq um espírito amigo quer dizer

em poucas décadas
a noite de ver o céu em serenatas
foi trocada por paredes e luzes
falsas que ofuscam as reais estrelas
através daquelas doentes
símbolos dos lazeres
desgastantes
onde ser estrela é no close
da máquina

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012





e o que virá, virá


e o que será, será

e mudará

e recomeça, e entra nessa



na vida há um sinal

em cada porta que se escolhe

por isso ore e ore e ore



passos conscientes

neste corredor de luz

das portas escolhidas

outras se abrirão

conforme a real natureza de então.



um estado de consciência

uma história

particular vibração

em um, dois e todos.



bebeu de uma fonte pisou num lamaçal morou no morro esteve entregue à nostalgia lamentou a aparência adorou a aparência esqueceu a essência mergulhou nas próprias evidências fez um filho terminou o ensino médio só sabe assinar hoje é menino



ontem já foi e amanhã ainda será

mas todos estão sempre sendo.

domingo, 16 de outubro de 2011

sensa-mor


agudas resoluções estomacais
graves aos ouvidos onde ouve-se abrir e fechar de tímpanos
mistura do inimaginável com a imaginação
está fadado o caldeirão do amor
a sempre borbulhar descobrimentos
do encoberto

abre-se a garganta
e respira
num alívio imediato nem se sabia antes de quê
a tranquilidade tem cheiro de lugares por onde já passei
uma árvore, uma casa antiga
ali esteve o amor comigo
agora está
do aqui e agora
conjugando paralelamente
o não aqui e não agora

agora minha alma não chora
daqui em diante
regenera e revigora

entramos na cachoeira viva
estou agora ainda com mais vida
não egoísta será o amor que me chama
a espalhar o mesmo despertar à raça humana.

para Williamn S.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

revoada de pássaros ao meu amor apavorado



poderia assim
ser tão bom assim
e ainda assim o sim
a mim endereçado?

minha pouca crença
faz não voar com os pássaros
sem oprimir-lhes com a
(já sei opaca) razão de ser
que parcas vezes atinge a razão do ser

e o amor fica descrente, doente
ou falta intenção no prana
que já sabes tem a substância
que dos pássaros também emana

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A cura e o surrealismo como exercícios miméticos


Retomo um modo de percepção estética que estava escondida, como a lua que se esconde agora, atrás do prédio que fica logo à frente minha janela. A diferença de agora para o período em que esteve ela aflorada em mim antes dos meses em que ela hibernou, é que a natureza (meu sempre preferido "objeto" de contemplação estética) têm se mostrado, consoante com a materialidade que têm as variadas formas de vida que emanam do ecossistema terrestre, estas formas estéticas transmitem a harmonia da vida em si, pousada em variáveis sistemas do universo . A experiência mimética a que Benjamin se refere em A doutrina das semelhanças, era, segundo o autor, muito mais aflorada nos povos antigos; a capacidade de nos sentirmos ligados ao todo, ou a um pensamento comum, um arquétipo, num momento ou em vários, da existência. Muito se tem feito uso de palavras como "todo", e "uno", de maneira errônea.
Porém nos campos da ciência, novos avanços são feitos a cada dia esclarecendo que em momentos em que a mente humana se conecta com maior perfeição a arquétipos ou forças para além da compreensão de uma visão profana e racionalista, a frequência cardíaca, etc, aumenta veementemente; ou seja, a influência do diferente funcionamento da mente é visível ao corpo,
nestes estados em que curas de doenças são realizadas, a passagem de mensagens de espíritos através de médiuns, etc; nos lembra que o xamanismo traz em suas raízes intencionais, aquela de religar domínios que estavam separados na experiência, para realizar as curas.

A regra surrealista de não repetir-se parece ser de especial ajuda . A percepção quando estamos atentos ao instante é geral, os objetos são vistos, em diferentes planos, ondas sonoras chegam colorindo qualquer momento do dia ou da noite, a música é sagrada, amém, digo na mata.

meu inconsciente já montou os mais selvagens cavalos
e quando aprendia a andar à cavalo, e corria,
sonhava estar dirigindo um fusca, aos cinco anos.

domingo, 19 de junho de 2011

trocas energéticas


sombras
cutucões

salt in bandos

sugar(á) quem de si não dá
em irreal sugar sugar honey honey

terça-feira, 14 de junho de 2011








descubro meu medo,
mas isso se dá
paralelamente à cura

meu amor

és assim:
de um mecanismo assombrosamente eficaz
dentro de mim.

sexta-feira, 13 de maio de 2011



o amor me leva como autômata
à sua morada

se fujo a onda afoga
ó saveiro...
não pode fugir
ao chamado do mar

procura-se a lareira sem entraves
mas da mão inteira dando apenas o dedinho
não se caminha como queres
por esses mágicos lugares

longínqua casa ao recanto do rio
espio
do ponto em que se passa por várias camadas
combustível inocente rodopio

vislumbra-se crânios iluminados
mandíbulas soltas

ao mesmo passo que
lobos mostram caninos
sinuosos passos felinos

coexistem dimensões no transe do ouvido
asas ou tímpanos abrem e fecham

por que perguntar numa hora dessas, susurra o vento
à nativa solitária
quando as aves já estão em casa?
pousa a mão em teu coração...